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Qual é o tamanho do Universo?

Descobrir os segredos do Universo é uma das maiores epopeias para a Humanidade. Para nós que estamos habituados às escalas Terrestres, compreender as escalas do Universo é por vezes difícil. Felizmente, o avanço da tecnologia no último século tem permitido desvendar cada vez mais mistérios e, certamente, continuará a fazê-lo nos tempos que virão.

Ainda antes de se questionar sobre se estaríamos sozinhos na imensidão do espaço, já o Homem tentava perceber qual seria o tamanho e a idade daquilo a que chamamos Universo.

O ponto de partida para determinar o tamanho do Universo é precisamente a sua idade. No entanto, esta é uma tarefa extremamente complicada.

Os astrónomos conseguem estimar a idade do Universo de várias formas. A observação e estudo das estrelas mais antigas é talvez a forma mais directa. Mas é também possível determinar a idade do Universo medindo a sua taxa de expansão ou medindo a chamada radiação cósmica de fundo, que é uma espécie de fotografia do Universo quando este tinha apenas 380 mil anos de idade.

Mapa da radiação cósmica de fundo que mostra as flutuações da temperatura há 13,77 mil milhões de anos. NASA.

Apesar da grande incerteza, as estimativas actuais dizem que o Universo teve início há cerca de 13,82 mil milhões de anos, num evento chamado Big Bang ou Grande Expansão. Imediatamente a seguir a matéria começou a expandir-se em todas as direcções, tendo dado origem aos primeiros átomos, depois às estrelas, às galáxias, aos planetas e a todos os outros corpos celestes.

Por causa da dimensão “astronómica” do Universo foi também necessário criar novas unidades para que fosse possível medir as distâncias às estrelas ou às galáxias. Assim, surgiu pela primeira vez em 1851, num artigo alemão sobre astronomia, a unidade designada de “ano-luz”. Apesar de inicialmente ter sido difícil compreendê-la, rapidamente se popularizou e é usada até aos dias de hoje. O ano-luz é uma unidade de comprimento que mede cerca de 9,46 biliões de quilómetros ou 9,46 x 1012 km ou, por outras palavras, a distância que a luz percorre num ano.

Então, se assumirmos que o Universo tem 13,82 mil milhões de anos podemos concluir que qualquer objecto observável a partir da Terra estaria, no máximo, a uma distância de 13,82 mil milhões de anos-luz ou que o seu diâmetro seria de 27,64 mil milhões de anos-luz, certo? Errado. A questão é que, como o Universo está em constante expansão, uma estrela cuja luz tenha demorado 13,8 mil milhões de anos a chegar até nós deve estar agora a 46,5 mil milhões de anos-luz. Podemos então concluir que o diâmetro do Universo é de 93 mil milhões de anos-luz? Sim e não.

Na verdade, 93 mil milhões de anos-luz é o tamanho daquilo a que chamamos Universo observável, ou seja, aquilo que conseguimos ver. Para tudo o que estiver para lá desse limite a sua luz ainda não teve tempo de chegar até nós e, por isso, não é observável, para já.

De acordo com estimativas recentes, o tamanho de todo o Universo deverá ser de pelo menos 250 vezes o tamanho do Universo observável até um tamanho quase infinito, na nossa concepção dos números grandes.

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