Hora muda este fim de semana, mas mudança pode acabar já em 2021

Na madrugada de 30 para 31 de março, sábado para domingo, a hora muda em todo o território nacional passando a aplicar-se o horário de verão. Para quem vive em Portugal continental e Madeira, quando for 01h00, o relógio deve adiantar-se para as 02h00. Nos Açores, o ajuste deve ser feito às 00h00. A mudança de hora bianual poderá acabar em 2021.

A mudança de hora duas vezes por ano conta já com mais de um século. A ideia partiu do norte-american Benjamin Franklin, em 1784. No entanto, só foi implementada em durante a Primeira Guerra Mundial, em 1916, para poupar carvão. Pode ler aqui a história se quiser.

Tal como a Alemanha e o império Austro-Húngaro, Portugal adoptou pela primeira vez a mudança de hora em 1916, a 17 de junho.

Portugal na hora da Europa Central

Entre 1992 e 1996, a hora não deixou de mudar, mas Portugal adotou a hora da Europa Central, seguindo assim o meridiano de Berlim. A decisão de Cavaco Silva e tinha como grande meta acertar a hora com outros países da Europa, para melhorar contextos negociais. Em 1996, já com António Guterres no Governo, Portugal voltou ao Tempo Médio de Greenwich (GMT).

No entanto, o desfasamento em relação ao tempo solar era enorme — chegou a ser de duas horas e meia — o que muitas pessoas estranharam, levando a insatisfação. Isto porque no inverno, às nove da manhã chegava a ser de noite, enquanto de verão a noite parecia só chegar por volta das 23h00/24h00. Além disso, houve um aumento do número de ataques de ansiedade e muitas histórias de crianças que ainda iam dormir para a escola.

Mudança de hora acaba em 2021?

No ano passado a Comissão Europeia fez uma consulta pública sobre a mudança de hora em toda a União na  qual participaram cerca de 4,6 milhões de pessoas, a maioria alemães. Além dos 84% que votaram a favor do fim da mudança da hora duas vezes por ano, 76% dos participantes consideram que essa experiência é “negativa” ou “muito negativa”. As principais razões apontadas foram o impacto negativo na saúde, o aumento de acidentes de viação ou a falta de poupanças de energia. Nessa consulta, 79% dos portugueses que participaram indicaram a sua preferência por aplicar permanentemente o horário de Verão no país.

O Governo, através do primeiro-ministro, António Costa, disse na altura não ter qualquer intenção de abolir a mudança da hora. “Acho que o bom e único critério é o critério da ciência e o que foi expresso até ao momento pela entidade competente, que é o Observatório Astronómico de Lisboa, é o entendimento que em Portugal devemos manter este regime de horário, com uma hora de Verão e uma hora de Inverno”, disse em entrevista à TVI. “Não vejo razão para que se contrarie a ciência e se faça algo de forma discricionária.

O primeiro-ministro referia-se ao relatório, entregue em agosto, pelo director do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL), Rui Agostinho. No relatório de 44 páginas, baseado em diferentes artigos científicos, concluiu-se que se deve manter a situação actual. “Termos um horário de Inverno e de Verão é benéfico para a maioria das pessoas”, afirmou o astrónomo. Porquê? Aproveitam-se mais as horas de sol (até em actividades de lazer e culturais ao ar livre), por exemplo. Já as perturbações de sono com a actual mudança da hora não serão significativas, segundo este relatório.

Quanto aos benefícios da poupança energética com o fim da mudança da hora, também não seria significativa. “O actual regime da hora legal em Portugal com hora de Verão é o melhor quando comparado com as possíveis alternativas”, lê-se no resumo do relatório. Contudo, salienta-se, por exemplo, que a União Europeia e o Estado português deveriam apoiar e aprovar a melhoria do regime actual da hora de Verão, alterando para o último domingo de Setembro em vez de Outubro.

Entretanto, na última terça-feira, o Parlamento Europeu votou a favor da abolição da mudança de hora com 410 votos a favor, 192 contra e 51 abstenções, já a partir de 2021. Segundo o Parlamento, caberá a cada Estado-membro decidir se quer aplicar a hora de verão ou a hora de inverno, mas os países da UE deverão todavia coordenar entre si a escolha das respetivas horas legais, de modo a salvaguardar o bom funcionamento do mercado interno, e notificar essa decisão a Bruxelas até 01 de abril de 2020, o mais tardar. O relatório propõe que a última mudança obrigatória para a hora de verão ocorra no último domingo de março de 2021. Os Estados-membros que optem pela hora de inverno acertariam ainda uma vez os relógios no último domingo de outubro de 2021. Após essa data, as mudanças de hora sazonais deixariam de ser possíveis.

Primeiro-Ministro mantém opinião

Nesta sexta-feira o primeiro-ministro voltou a garantir que o Governo português vai bater-se no Conselho Europeu contra a uniformização da hora na União Europeia. Em entrevista à TSF e ao Dinheiro Vivo, o primeiro-ministro reafirma que a decisão “não faz sentido” e recorda que Portugal já teve “essa experiência“. “Temos que ajustar os horários relativamente aquilo que é a realidade solar de cada um dos países“, defende António Costa, que constata que, de facto, esta realidade “não é idêntica nos 28 Estados-membros“. “Há países onde, porventura, o regime de uma só hora é adequado. Em Portugal, não vi ninguém a queixar-se desta mudança da hora. A não ser naquele dia em que se diz: «Que chatice, esqueci-me de acertar a hora!».

 

Até 2021, inclusivé, o início e o termo do período da hora de verão são fixados, respectivamente, nas datas seguintes, à 1 hora da manhã, tempo universal:

  • 2019: domingo 31 de março e domingo 27 de outubro,
  • 2020: domingo 29 de março e domingo 25 de outubro,
  • 2021: domingo 28 de março e domingo 31 de outubro.
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