Carapito,  País

Carapito na Revolução de Abril de 1974

A revolução de 25 de abril de 1974, apesar de ter acontecido em Lisboa, conta também com alguns carapitenses na sua história. Um deles é António Francisco Caseiro Marques, então oficial da Marinha, da Classe de Fuzileiros. Recordamos agora a história, 45 anos depois.

Caseiro Marques.

24 de abril de 1974. Pelas 22h55, militares do Movimento das Forças Armadas (MFA) deram o sinal para o início do golpe militar, quando os Emissores Associados de Lisboa, puseram no ar a senha para informar os revoltosos que a revolução estava em marcha. Essa senha consistiu numa canção de Paulo de Carvalho intitulada “E depois do adeus”. Seguiu-se mais tarde outra canção intitulada “Grândola vila Morena”, esta emitida pela Rádio Renascença, às 00h20.

Ao mesmo tempo, uma coluna militar com tanques, comandada pelo capitão Salgueiro Maia, saiu da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, e marchou para Lisboa. Na capital, tomou posições junto dos ministérios e depois cercou o quartel da GNR do Carmo, onde se tinha refugiado Marcelo Caetano, o sucessor de Salazar à frente do Governo.

No Largo do Carmo. CD25A

Durante o dia, a população de Lisboa foi-se juntando aos militares. E o que era um golpe de Estado transformou-se numa revolução. A certa altura, uma vendedora de flores começou a distribuir cravos, que rapidamente foram enfiados no cano das espingardas e os civis puseram ao peito. Por isso, hoje em dia lhe chamamos Revolução dos Cravos. Apesar de se terem registado alguns tiros junto da sede da PIDE/DGS, na zona do chiado, onde foi morto um civil, pode dizer-se que se tratou de uma revolução pacífica, como nunca existiu na história.

Negociações para a entrega de poderes do Governo de Marcello Caetano aos dirigentes do Movimento do 25 de Abril. CD25A

Ao fim da tarde, Marcelo Caetano (o último Presidente do Estado Novo) rendeu-se e entregou o poder ao general Spínola, que, embora não pertencesse ao MFA, não pensava da mesma maneira que o governo acerca das colónias. Um ano depois, a 25 de abril de 1975, os portugueses votaram pela primeira vez em liberdade desde há muitas décadas. Entretanto deu-se o 11 de Março, uma tentativa de golpe ainda hoje mal explicada.

Então a prestar serviço na escola de Fuzileiros, em Vale do Zebro, na região do Barreiro, Caseiro Marques manteve-se a pé toda a noite, tentando, com outros jovens oficiais convencer o Comandante da Unidade a deixá-los sair em apoio do golpe. Só de madrugada, pelas cinco da manhã, foi organizada a companhia de fuzileiros que saiu da Escola e se dirigiu para o Ministério da Marinha, situado no Terreiro do Paço, onde formou e recebeu ordens para avançar para o Forte de Caxias, naquela altura ainda na posse da PIDE/DGS.

Os fuzileiros passaram pelo Largo do Carmo, por volta das oito da manhã do dia 26 de Abril e seguiram para Caxias.

Aí chegados, Caseiro Marques foi incumbido de, comandando uma secção de fuzileiros controlar o acesso ao Forte onde se encontravam os presos políticos do regime.

Ali permaneceu todo o dia, até à saída dos presos políticos, por volta das oito horas da noite, facto que levou o povo a desmobilizar quando foram soltos os primeiros presos, tendo a certeza de que estes seriam libertados. Em seguida, Caseiro Marques orientou a desmobilização dos circunstantes e a saída dos inúmeros automóveis que durante todo o dia se foram juntando nos parques de estacionamento do Estádio Nacional, situados nas imediações do Forte, onde hoje se escontra a sede a Federação Nacional de Futebol.

Duas Histórias de Prisão.

Segundo Caseiro Marques, a tarefa de tentar controlar os milhares de pessoas que se foram juntando ao longo do dia e que queriam, à viva força, subir até aos portões do Forte, não foi fácil.

Veja aqui o momento neste excerto do documentário “Duas Histórias de Prisão”, da realizadora Ginette Lavigne.

No documentário, duas mulheres, ex-prisioneiras políticas da ditadura, descrevem a sua detenção na prisão de Caxias, assim como as suas lutas de hoje.

Pode também ver ou rever os bastidores do 25 de abril, numa produção do Canal História.

E se quiser ver um documentário que retrata o período entre os dias 25 de abril de 1974 e o Primeiro de Maio recomendamos o filme “As Armas e o Povo”, longa metragem que mostra o movimento militar e a agitação popular nas ruas, tendentes ao desmantelamento do «aparelho social e político do fascismo». A história faz-nos recuar ao golpe do 28 de maio de 1926, dando-nos a ver os movimentos que, desde então, contribuíram para que se tornasse possível a Revolução dos Cravos. As Armas e o Povo é um filme realizado e produzido pelo Colectivo de Trabalhadores da Actividade Cinematográfica.

Em Carapito, a chegada da liberdade também se fez sentir e, um ano depois, o sentimento e vida em democracia eram já uma realidade adquirida, como se pode ver na cara de alguns carapitenses.

Carapitenses celebram a liberdade em Carapito, em 1975. APT

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