Portugal tem 61 concelhos sem jornais e rádios locais

Trás-os-Montes e Alentejo são as regiões mais afetadas. Apenas dois concelhos do litoral, ambos no Algarve, estão no “Deserto de Notícias”.

©Caruspinus

De acordo com o estudo “Deserto de Notícias” do investigador Giovanni Ramos, da Labcom/UBI — Universidade da Beira Interior, Portugal tem 61 concelhos sem jornais e rádios de informação. As regiões de Trás-os-Montes e do Alentejo são as mais afetadas. Em 2020 eram 57.

Apenas dois concelhos do litoral, ambos no Algarve, estão no “Deserto de Notícias”. Nos distritos do Porto, Viana do Castelo e Aveiro não há nenhum concelho sem órgãos de comunicação social, enquanto que em Braga, Lisboa e Setúbal há apenas um concelho em cada sem órgãos de comunicação social.

No distrito da Guarda o concelho de Trancoso ainda surge como único sem nenhum órgão de comunicação social inscrito na ERC, o que foi entretanto alterado com o lançamento do jornal digital “O Bandarra”.

O estudo, publicado na revista Estudos de Jornalismo mostra que Portugal possui 2144 órgãos de comunicação social, sendo 1754 publicações impressas e digitais, 327 operadores de rádio e 63 operadores de televisão.

Associação Portuguesa de Imprensa Lamenta Indiferença do OE2022 para com a Imprensa

A Associação Portuguesa de Imprensa (API) mostrou-se recentemente indignada com a contínua “indiferença do Orçamento do Estado para com o setor da imprensa“.

Há mais de 10 anos que as associações do setor propõem medidas de apoio sensatas, que implicam praticamente nenhum investimento do Estado. São medidas em sede de IRS, como a igualdade de tratamento em relação a despesas com os ginásios, animais de estimação, restaurantes, mecânicos, etc., e em sede de IRC, como a diminuição do imposto na compra de publicidade por parte dos anunciantes“, referiu a associação em comunicado.

Além disso, aponta a API, “há vários anos que o OE não tem qualquer variação no valor destinado à comunicação social (excluindo para a RTP e para a agência Lusa), o que indica que não há qualquer preocupação com o setor, sendo a rubrica apenas copiada de ano para ano“.

A pandemia e a Guerra da Ucrânia vieram agravar a situação de um sector já em dificuldades e para fazer face a esta situação, a API apresentou um plano de 5 medidas extraordinárias para 3 meses. Foram muito bem recebidas, mas nada foi feito“, continua. “Nesse sentido, a API espera ser ouvida no OE de 2023, para que as suas propostas ainda possam ser consideradas, bem como as medidas de exceção referentes ao preço do papel“.

Deixar o regime de apoios do estado à Comunicação Social como está é um mau serviço à democracia. É uma ilusão pensar que o jornalismo independente vai existir sem apoios públicos. O Estado tem de pensar como quer apoiar os seus media e, com isso, cuidar da ‘saúde’ do sistema democrático. Esta questão devia ser uma prioridade para o Governo e, por isso, é preciso agir agora“, afirma João Palmeiro, Presidente da API.

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