COVID-19: como é que as zonas com a maior densidade populacional do mundo conseguiram conter o coronavírus?

Com uma população de 650 mil pessoas, Macau tem a maior densidade populacional do mundo. A área desta região autónoma da China é de apenas 32,9 km2, 3 km2 menor que a área da freguesia de Aguiar da Beira. Naquele pequeno pedaço de terra vivem, nada mais, nada menos, que 20.000 pessoas por cada quilómetro quadrado. Enquanto que ali ao lado, na China, o número de infectados passou de 1 para 80 mil em cerca de 2 meses, em Macau foram, até ao momento, confirmados apenas 17 casos! E mais, depois dos primeiros 10 casos (todos já recuperados), a região autónoma esteve mais de um mês sem novas infecções. Mas como é que isto foi possível?

Localização de Região Administrativa Especial de Macau. © Sémhur / Wikimedia Commons

Imediatamente após ser detectado o primeiro caso, em 22 de Janeiro, o Governo suspendeu imediatamente todas as viagens provenientes de Wuhan (China). Dias depois, colocaram turistas da província de Hubei (China) em quarentena. Fecharam todos os espaços públicos e cancelaram as celebrações do Novo Ano Lunar. As escolas fecharam no dia 24 de Janeiro. No dia 4 de Fevereiro fecharam os 41 casinos, a sua maior fonte de receita. É certo que para isso contribui, e muito, a grande quantidade de dinheiro em reservas que a região tem e de que nem todos os países podem usufruir. E, claro, toda a gente se fechou em casa, saindo apenas para o essencial do essencial. Disse o presidente do Governo: “Isto não são férias. Não é para saírem de casa e se juntarem ou sair para fazer exercício. Não para isso. É para todos ficarem em casa.” Sem surpresas, toda a gente acatou.

Mas Macau não foi a única região, altamente povoada, a conseguir conter a propagação do vírus com sucesso. O Mónaco, Singapura, Hong Kong e Taiwan, respectivamente a 2.ª, 3.ª, 4.ª e 17.ª áreas mais densamente povoadas no mundo, registam números igualmente baixos e quase irrelevantes, se comparados com os países que se encontram no extremo oposto do gráfico.

Para além das medidas usadas em Macau, em Singapura, em Hong Kong e em Taiwan, foram também decisivos os procedimentos usados no combate ao SARS, em 2003, e depois melhorados.

Não é difícil aprender com os erros e as vitórias dos outros: quarentena rigorosa; distanciamento social e proibição de aglomerações; reforço da protecção individual; comunicação efectiva por parte das autoridades competentes e acção atempada e coordenada são alguns dos pontos chave.

Não é à toa que, por todo os mundo, se recomenda e impõe o recolher obrigatório. Se dúvidas houvesse, os números são a prova definitiva de que é possível conter o vírus se respeitarmos os procedimentos. Se há casos em que a resposta ou acção do Governo são as principais responsáveis pelo desfecho na solução de um determinado problema, neste caso, depende de todos, Governo e população. O objectivo é conseguir fazê-lo sem provocar a ruptura do Serviço Nacional de Saúde e com o menor número possível de vítimas. Por si e pelos outros, fique em casa!

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