Carapito

Carapito: Já conhece o nosso património?

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A antiga vila de Carapito é hoje uma aldeia tranquila, onde o principal desenvolvimento económico surge apoiado na emigração, construção civil e agricultura. Na aldeia sempre se praticou uma agricultura de subsistência, pouco rentável, nas culturas da batata, milho e centeio.

Se quisermos conhecer o povo, as suas construções, a sua forma de ser, de agir e de pensar, nada melhor que fazermos um percurso na herança cultural que ao longo dos séculos lhe foi legada. Nesta cultura inclui-se um numeroso património, construído ao longo dos últimos 5000 anos.

No interior da aldeia podemos encontrar inúmero património construído que vale a pena visitar, da Igreja Paroquial ao Pelourinho, diversas capelas, cruzeiros e fontes.

Uma grande maioria deste património encontra-se assinalado no mapa abaixo.

Mapa de Carapito 1

Descrevemos agora cada um desses pontos.

1. Igreja Paroquial (40.763394, -7.463547)

A igreja matriz deverá ter origem românica, pela configuração da porta lateral a norte, e por outras aberturas que hoje se encontram tapadas. Sofreu, no entanto, profundas remodelações, como o atesta a cantaria exterior que foi alterada, aumentando-lhe o pé direito. A frontaria e a torre sineira são do século XVII, sendo a última rematada em arco contra-curvado, típico do Barroco, quer pela volumetria, quer pelo movimento das formas. No interior podem encontrar-se os altares de São Pedro de Verona e de Santo António, entre outros. A torre tem dois sinos, um novo e outro velho. O sino velho data de 1825, enquanto o novo, que veio substituir um antigo que entretanto partira, data de 1918. No púlpito da igreja está inscrita a data de 1697. O arco que dividia a capela-mor do corpo do templo estava pintado com motivos florais, próprios do estilo barroco e com uma outra data ao centro, de onde se tem uma vaga ideia de que seria 1646. As pinturas no teto são um património valiosíssimo que vale a pena apreciar.

Em 2015 foi colocada uma imagem em pedra de Nossa Senhora da Purificação no exterior da Igreja e que é o mais recente monumento religioso da aldeia.

Igreja

2. Pelourinho (40.763781, -7.463897)

Na sequência do foral dado a Carapito por D. Manuel em 1514, foi levantado o pelourinho. Este assenta num soco de cinco degraus octogonais de rebordo boleado, tendo estado o degrau térreo parcialmente enterrado até 2014 quando foi novamente posto a descoberto. É constituído por coluna e remate, com arremedo de base e de capitel. A coluna é lisa e de secção octogonal, com base quadrada e chanfrada nos ângulos, de forma a adquirir a secção do fuste. Este é rematado por um singelo capitel anelar, composto por um colarinho decorado com pérolas entre duas estreitas molduras octogonais. Sobre este, figura o remate do conjunto, em gaiola de grandes dimensões, formada por dois troncos piramidais de base oitavada truncados, o de baixo invertido e o de cima sustentado por um colunelo central liso e por oito laterais. Os colunelos laterais assentam em mísulas decoradas com molduras anelares e são encimados por pequenos pináculos. Dois destes colunelos estão mutilados e um outro já não existe; por detrás de cada um existe um espigão em ferro, reforçando a sustentação do chapéu da gaiola. Este é, por sua vez, rematado por um pináculo encimado por pequena esfera, da qual sai uma bandeirola de ferro forjado.

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3. Monumento aos 500 anos do Foral (40.763757, -7.464080)

Com a comemoração dos 500 anos do foral de Carapito em 10 de maio de 2014, o Largo da Praça passou a ter mais um monumento. Virado para nascente e para o Pelourinho, este é um marco de um passado histórico e grandioso.

Foral

4. Capela de N.ª Sr.ª do Rosário (40.764143, -7.464183)

Esta capela, contígua ao edifício da Junta de Freguesia, era pertença dos herdeiros de D. Mercês Pessanha, da quinta do Ferro, e foi construída pelos Beltrões. Foi cedida à paróquia em 1992, mas as obrigações testamentárias que estão impressas na parede lateral impediram a responsabilização da diocese, pelo que continua na posse dos Pessanhas que a emprestaram para alguns serviços paroquiais. Como está localizada no centro da povoação serve desde então como capela mortuária.

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5: Fonte da Vila (40.763807, -7.465098)

A fonte da Vila data do início do séc. XVII, sendo uma das mais belas da aldeia. Encontra-se numa das zonas mais antigas da aldeia, estando por isso perfeitamente enquadrada com o local.

Fonte da Vila

6: Tanques Principais (40.764565, -7.464586)

Os tanques, com a sua bica e bebedouro, com lavadouros em todo o seu perímetro, encontram-se no Largo D. Mercês Pessanha, que foi a doadora dos terrenos para esta construção. São ainda o local público mais solicitado para as lavagens das roupas, desde 1954, ano em que foram inaugurados.

Tanques

7: Solar dos Beltrões (40.764561, -7.464953)

Situada entre o solar e as cavalariças, junto à conhecida casa do abade António de Mello e Sá, não se chega a saber se a obra terá sido completamente edificada. Resta a frontaria com pináculos e um nicho idêntico ao da capela de Santo António. No interior do solar existia uma capela, onde presumivelmente o abade presidiria a alguns ofícios religiosos particulares.

8: Calvário (40.766203, -7.463978)

O Calvário é o ponto mais elevado do interior da aldeia. Dali pode ter-se uma vista sobre a maior parte da aldeia, da Serra do Pisco a nascente e da Serra da Estrela a Sul. Ali situa-se também o Clube Cultural e Recreativo de Carapito e um parque infantil, construído há poucos anos.

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9: Lugar de N.ª Sr.ª da Boa Viagem (40.765694, -7.461986)

A Nossa Senhora da Boa Viagem é uma santa venerada em Carapito há muito pouco tempo, mais precisamente desde 1996. Situada na Borberica, conta com um local especialmente arranjado. Realiza-se anualmente uma festa em sua honra, no primeiro domingo de agosto.

10: Chafariz, Pio e Cruzeiro do Terreiro (40.764810, -7.463839)

Há por toda a freguesia inúmeros cruzeiros, uns maiores, outros menores. O cruzeiro mais antigo será o do Terreiro que é também o mais imponente. Até meados do século XX apenas existia outro na Borberica acima da fonte com o mesmo nome. Só nos anos sessenta se construiu o do Calvário e já em finais do milénio se edificou outro igual junto à capela de São Sebastião.

No Largo do Terreiro há ainda um chafariz, semelhante ao da Borberica, e um pio que hoje não é utilizado.

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11: Lugar de Santa Luzia (40.763493, -7.465071)

O monumento de Santa Luzia situa-se nas Adegas, junto à escola primária. Deve datar do século XVIII, apesar de a imagem atual de azulejos substituir uma outra pintada em tons acastanhados, há cerca de 50 anos.

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12: Lugar de Santa Eufêmea (40.761545, -7.464559)

A imagem de azulejos é do tempo da de Santa Luzia. Antes estava sobre um penedo que foi demolido para alargamento da estrada que sai em direção a Pena Verde. O local foi restaurado, e a imagem de azulejo foi substituída por uma escultura em mármore branco colocada dentro de um nicho em pedra. Durante alguns anos celebrava-se ali uma festa anual em sua honra, no mês de setembro.

13. Capela de S. Sebastião (40.759901, -7.466210)

Reza a lenda de que a imagem de São Sebastião apareceu no lugar do «Santo» três vezes, e que outras tantas a levaram para a igreja, mas outras três vezes o Santo voltou a aparecer no mesmo sítio. Decidiram então fazer-lhe uma capela. O problema seria agora aonde e como? Ora, houve um dia que caiu uma grande nevada, mas numa certa área não tinha caído neve. Foi então esse o local escolhido para a construção da capela.

A festa do mártir São Sebastião realiza-se no domingo seguinte ao dia 20 de janeiro.

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No exterior da aldeia há ainda inúmero património que pode ser visitado e que se encontra assinalado no mapa abaixo.

Mapa de Carapito 2

1. Dólmen Nº 1 (40.746758, -7.466925)

O Dólmen Nº 1, localmente conhecido por “Casa da Moira”, sobressai pela sua monumentalidade, ultrapassando os seus esteios os 5 metros de altura. De acordo com os registos, o dólmen de Carapito é o segundo maior de Portugal, sendo apenas ultrapassado pela Anta Grande do Zambujeiro, em Évora. Este dólmen foi mencionado pela primeira vez por Francisco Martins Sarmento no relatório da expedição científica que a Sociedade de Geografia de Lisboa realizou à Serra da Estrela em 1881. Em 1933, Georg Leisner visitou o monumento, fez a primeira planta e decalcou as gravuras rupestres existentes. Em 1948, José Coelho apresentou uma referência mais extensa, acompanhada de um esboço e de um registo fotográfico. No entanto, só em 1966 é que este dólmen foi alvo de um trabalho científico, dirigido por Vera Leisner e Leonel Ribeiro, tendo estes recolhido numeroso espólio.

No ano de 1988 Domingos Cruz e Raquel Vilaça iniciaram os trabalhos de recuperação do dólmen, que por falta de fundos e apoios não puderam ser concluídos, levando a que alguns anos depois parte do dólmen voltasse a ficar em ruínas. Durante este trabalho foi ainda possível recolher material que possibilitou a datação pelo processo de Carbono-14 e que estimou a construção/utilização do dólmen por volta de 2900 A.C.. Foi classificado como monumento nacional em 1974.

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2. Dólmen Nº 2 (40.749049, -7.468368)

O Dólmen Nº II encontra-se a poucas centenas de metros do Dólmen Nº I, tendo também este muito interesse arqueológico. Foi escavado por Vera Leisner e Leonel Ribeiro, que também ali recolheram diverso espólio.

Dólmen II

3. Dólmen Nº 3 (40.750853, -7.467969)

O Dólmen Nº III também foi escavado por Vera Leisner e Leonel Ribeiro. Neste dólmen, os arqueólogos notaram nitidamente uma separação de camadas, correspondentes a duas utilizações em épocas distintas, possivelmente por povos também eles diferentes.

Dólmen III

4. Dólmen Nº 4 (40.783480, -7.449102)

O Dólmen Nº IV encontra-se na outra extremidade da freguesia e é também conhecido por “Orca da Revolta”. Este dólmen foi escavado por Castro Nunes em 1965, sendo perfeitamente percetível a mamoa.

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5: Fonte da Ladeira (40.754283, -7.458364)

A fonte da Ladeira localiza-se depois da Regada. Esta fonte dava de beber a quem andava a trabalhar por ali perto, nas matas e nos campos. Tal como a fonte da Ladeira há várias outras na serra, distinguindo-se esta pela sua beleza.

6. Poço do Penedo (40.759956, -7.459434)

No Passal, junto à ribeira, entre o poço do Penedo e a ponte do Lameiro da Ribeira, que era uma laje de pedra única por onde se passava a pé enquanto os carros de bois atravessavam a vau, existia um grande freixo. Nesse local é que os garotos aprendiam a nadar. Um lençol de água, tão fundo quanto suficiente, era onde os rapazes se banhavam em dias de calor.

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7. Parque da Lameira da Ribeira (40.761231, -7.458785)

O Parque da Lameira da Ribeira encontra-se junto ao Passal, dispondo de diversas mesas e espaço verde. Ao lado corre o Rio Carapito, que vai desaguar no Rio Dão, no concelho de Penalva do Castelo.

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8. Talefe Pequeno (40.753636, -7.455250)

O Talefe pequeno é também um marco geodésico que se encontra a alguns quilómetros de distância do Talefe Grande, seguindo a mesma linha. Este é muito mais modesto, sendo construído em cimento. Dali também se tem uma excelente vista sobre a aldeia.

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9. Penedo da Cruz da Fortuna (40.760919, -7.449527)

O penedo da Cruz da Fortuna encontra-se no sopé da Serra do Pisco. Na estrada para a Sernada, e no altinho, ao virar para o caminho do Castro dos Castelos, encontramos do lado esquerdo um aglomerado granítico. Nos penedos estão esculpidas dezenas de cruzes, sendo que o seu nome virá provavelmente de uma lenda que traria fortuna a todos quantos ali deixassem a sua marca quando emigravam. No entanto, pouco ou nada se sabe sobre a sua origem. Certo é que a sua fama seria grande noutros tempos, sendo bem conhecida dos mais velhos.

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10. Cabeça do Velho (40.766926, -7.447763)

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11. Castro dos Castelos (40.769402, -7.447440)

A dois quilómetros a nascente do povoado podemos avistar um ciclópico amontoado granítico no sopé da vertente ocidental da Serra do Pisco. Acima destas enormes rochas situa-se o Castelo, Castro de Carapito, Castro dos Castelos ou simplesmente Castelos. Todas estas pedras, algumas alinhadas, outras dispersas, são os vestígios de um povoado, há muito em ruínas, e que deveria ter mais de 150 edificações.

Na sequência das escavações e estudo do restauro da anta nº 1 de Carapito, também este povoado foi objeto de estudo e limpeza no sítio do castelo e da capela, em setembro de 1989. Uma ruína bem delimitada é a capela, provavelmente visigótica, posterior ao povoamento castrejo, à romanização e anterior à ocupação muçulmana do século VIII. Talvez esta seja a ruína do primeiro monumento cristão em Carapito, que, no entanto continua votada ao abandono.

Existem também vestígios de sepulturas, tendo um dos exemplares cerca de um metro e meio de comprimento. Tudo leva a crer que foi mesmo aqui que nasceu a primeira povoação de Carapito.

A história diz que a povoação terá sido devastada pelo califa árabe Almançor, que também dá o nome à Serra.

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12. Talefe Grande (40.770232, -7.424114)

O Talefe Grande ou somente Talefe, como é conhecido entre todos os habitantes de Carapito e das redondezas, é um marco geodésico que se encontra no cimo da Serra do Pisco. A sua construção em 1955, por parte do Estado, mais propriamente do Instituto Geográfico de Portugal, deveu-se a uma organização geográfica nacional para referenciar os pontos mais altos do território. Assim, como todos os outros, estava pintado de branco com uma faixa a preto no meio. No entanto essas cores já desapareceram, estando agora visíveis as pedras que o compõem. Em altura comporta cerca de 10 m e a sua envergadura é de aproximadamente 3 m na base.

Dali, pode ver-se toda a aldeia de Carapito, em frente, e na direção oposta, a nascente, a cidade de Trancoso, também conhecida pelo seu castelo. Para qualquer lado que se olhe, a bela paisagem montanhosa estende-se até se perder de vista. Ao fundo, a sul, pode ver-se a Serra da Estrela, ‘vestida’ de azul celeste. Ali ao lado fica um posto de vigia, que é usado na identificação de incêndios e onde estão também várias antenas de companhias telefónicas. As pedras do cimo do Talefe encontram-se deslocadas, devido a uma trovoada que ali caiu há já largos anos. Ainda assim o seu estado de conservação é assinalável e merece sem dúvida uma visita, não só por si mesmo, mas principalmente pela bela paisagem de que se pode observar.

Mais recente foi ali construído um parque eólico.

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13. Aqueduto das Boiças (40.764667, -7.469500)

Como o nome indica, nas Boiças pode encontrar-se um aqueduto em pedra talhada, também conhecido por “cano”. Seguia pelo Arrabalde, Linhar, atravessando ainda a Praça. Hoje em dia apenas uma pequena parte ainda existe, sendo no entanto um belo exemplar do património local e que vale a pena visitar. Serviu para regar muitos terrenos de cultivo, numa altura em que o transporte e disponibilidade de água não eram tão acessíveis como hoje.

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Este é muito do património principal que pode visitar. Mas muito mais pode ser encontrado por toda a aldeia, com grande destaque para o património natural.

Por tudo isto e muito mais, visite Carapito, visite a nossa história.

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