Totalidade do território continental está em situação de seca — moradores de Paços de Ferreira desperdiçam água para pagar menos

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Desde 2005 que Portugal não tinha tantas regiões em seca severa e extrema em pleno Inverno. De acordo com os dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) relativos a Janeiro de 2022, 53,7% do território continental estava em situação de seca moderada, 34,2% em seca severa e 11,5% em seca extrema. Só 0,6% do território estava em situação de seca fraca e nenhuma parte do território apresentava uma situação normal de seca.

O mês de Janeiro foi o quinto mais quente desde o ano 2000, com uma temperatura média do ar de 9,5 °C. Por outro lado, desde 1931 que não havia um Janeiro com uma média da temperatura máxima tão elevada, que chegou aos 15,29 °C, mais 2,20 °C em relação ao valor normal registado no período 1971–2000. Relativamente à precipitação, o mês de Janeiro foi ainda o sexto mais seco dos últimos 90 anos e o segundo pior desde o ano 2000, sendo apenas superado por Janeiro de 2005.

Um dos efeitos mais notórios da seca no país é o aparecimento da antiga aldeia do Vilar, no concelho de Pampilhosa da Serra, que surgia apenas noutras estações, uma vez que está normalmente escondida pelas águas do rio Zêzere devido à constução da Barragem do Cabril e está agora bem visível nas margens do rio.

Na região de Serra da Estrela, em situação de seca há dois meses, os pastores têm recorrido a ração, uma vez que não têm pasto suficiente. Esta situação tem feito diminuir a produção e qualidade do leite, ao mesmo tempo que faz aumentar os custos de produção, em alguns casos, para o dobro.

O comissário europeu da Agricultura revelou nesta terça-feira ter debatido, em Estrasburgo, com os ministros de Portugal e Espanha, a situação de seca em ambos os países e os fundos que Bruxelas pode divulgar para apoiar o sector. De acordo com um relatório do IPMA, o valor médio da quantidade de precipitação foi muito inferior ao normal registado entre 1971 e 2000, correspondendo a apenas 12%.

Moradores de Paços de Ferreira desperdiçam água para pagar menos

Apesar da situação de seca no país, os comerciantes e moradores de Paços de Ferreira veem-se obrigados a desperdiçar água para pagarem menos ao fim do mês. Quando não atingem o consumo mínimo de água, passa a ser aplicada a taxa máxima de saneamento.

O consumo mínimo de 1.000 litros por mês é um assunto que domina as conversas no concelho desde que foi assinado o contrato de concessão de abastecimento de água em 2004.

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