A Microsoft prepara-se para encerrar o ciclo de vida de um dos seus sistemas operativos mais populares, incentivando a transição para o Windows 11, que, segundo a empresa, “oferece uma experiência moderna e eficiente, concebida para cumprir as exigências atuais de maior segurança”.

Em abril de 2023, a Microsoft anunciou que a versão 22H2 seria a última do Windows 10 e que deixaria de fornecer atualizações de segurança, correções de bugs e suporte técnico para este sistema operativo a partir de 14 de outubro de 2025, marcando uma década de um dos sistemas operativos mais utilizados do mundo.
Lançado em julho de 2015, o Windows 10 foi apresentado como “o último Windows”, numa altura em que a Microsoft planeava transformá-lo num serviço em constante atualização. No entanto, em 2021, a empresa anunciou o Windows 11, um sucessor com design renovado e novas funcionalidades, mas com requisitos de hardware mais exigentes, o que deixou muitos utilizadores e empresas numa posição difícil.
Apesar do anúncio, nos meses mais recentes, a Microsoft tem vindo a detalhar o seu programa ESU (Atualizações de Segurança Alargada), que permite estender a cobertura de segurança crítica até 13 de outubro de 2026 para dispositivos elegíveis.
Inicialmente, a Microsoft começou por oferecer uma opção de extensão do período de atualizações, por mais um ano, mediante o registo no programa ESU, usando uma conta Microsoft e pagando uma taxa. Depois, atualizou o programa para ser possível receber as atualizações durante mais um ano, gratuitamente, mas com o requisito de o utilizador fazer uma cópia dos seus dados para o OneDrive.
Mais recentemente, no final de setembro, a Microsoft anunciou condições específicas para utilizadores no Espaço Económico Europeu — composto pelos 27 membros da EU, a Islândia, o Liechtenstein e a Noruega — fazendo a inscrição no ESU, através de uma das seguintes formas, após iniciarem sessão com uma conta Microsoft:
- Conta Microsoft ativa:
- A conta utilizada para se inscrever no ESU ativa a extensão de atualizações de segurança no dispositivo até 13 de outubro de 2026, desde que continue a iniciar sessão com a mesma conta.
- Se deixar de o fazer, as atualizações serão descontinuadas após cerca de 60 dias, podendo ser necessário reinscrever-se.
- Conta local (sem sessão ativa):
- Compra única de 30 dólares (ou equivalente na moeda local, acrescido de impostos aplicáveis).
- Permite a utilização contínua de uma conta local, sem necessidade de iniciar sessão com uma conta Microsoft, exceto no momento da compra.
- Garante atualizações de segurança até 13 de outubro de 2026.
A Microsoft avisa que a disponibilização da opção gratuita está a ser feita de forma gradual nas regiões elegíveis.
Se não for elegível, não quiser inscrever-se no programa, não puder ou não quiser atualizar o seu computador para o Windows 11, poderá continuar a usar o Windows 10, mas deverá ter em conta que, ao não receber atualizações de segurança, o sistema vai tornar-se gradualmente mais vulnerável a ataques e menos compatível com software recente.
Se o seu computador cumprir os requisitos mínimos para ser atualizado do Windows 10 para o 11, deverá ver uma opção no Windows Update para efetuar a atualização para o Windows 11 gratuitamente.
Impacto do fim do suporte normal para o Windows 10
O Windows 10 ainda está presente em cerca de 43 % dos dispositivos Windows em todo o mundo, segundo dados da Statcounter, o que corresponde a aproximadamente 600 milhões de computadores. Destes, várias centenas de milhões não cumprem os requisitos mínimos para receber o Windows 11.
Esta limitação levou a críticas por parte de utilizadores e organizações, que consideram injusto ter de substituir equipamentos perfeitamente funcionais. A Microsoft, porém, defende que as novas exigências de hardware — como o módulo de segurança TPM 2.0 — são essenciais para garantir maior segurança e desempenho.
As empresas e instituições públicas, muitas das quais ainda dependem do Windows 10, terão de decidir entre atualizar os equipamentos, migrar para o Windows 11 ou aderir ao programa ESU.
Com o fim do Windows 10, a Microsoft aposta tudo no Windows 11 — e, segundo analistas, poderá já estar a preparar o caminho para um possível Windows 12, cuja chegada é aguardada em 2026, embora sem confirmação oficial.
