É cliente da CGD? Estas são as novas comissões que pode vir a pagar

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai agravar as comissões sobre um grande conjunto de produtos e serviços que disponibiliza aos seus clientes. As mudanças acontecem a partir do início do próximo ano e, apesar de terem como principais alvos as contas, vão também afectar transferências, a começar pelo MB Way. Os cheques, o crédito à habitação ou mesmo o custo de alugar cofres vão igualmente sofrer alterações. Nos últimos três anos houve um aumento médio de custos na ordem dos 73%.

Estas são as comissões que vão mudar, já a partir do próximo ano, para os clientes da Caixa Geral de Depósitos:

1. Serviços Mínimos Bancários (SMB)

As contas de Serviços Mínimos Bancários (SMB) são actualmente gratuitas para todos os clientes que reúnam condições para a elas aceder. Contudo, uma parte dos clientes vai perder essa isenção. A partir de 25 de Janeiro, a Caixa vai passar a cobrar 35 cêntimos por mês (4,20 euros anuais) aos titulares dessas contas cujos rendimentos sejam superiores ao salário mínimo nacional. Os restantes clientes mantêm a isenção.

2. Conta S

A partir de 25 de Janeiro, os clientes com a “Conta S” — a conta “pacote” mais básica do banco — vão ver a respectiva mensalidade aumentar. Quem reúne condições para ter uma bonificação nesta conta vê os respectivos encargos mensais subirem dos actuais 2,912 euros para 3,328 euros, representando um encargo anual acrescido de cinco euros. Nas contas sem direito a bonificação, o encargo mensal passa dos actuais 4,16 euros para 5,148 euros, com o encargo anual a crescer cerca de 12 euros.

Esta subida de encargos será, contudo, compensada por um incremento do número de transferências bancárias sem custos que passam de duas mensais para quatro (inclui as transferências MB Way). Também a “Conta M” passa a permitir mais transferências bancárias sem custos — passam de três para cinco por mês –, na “Conta L” mantém-se um número ilimitado de transferências. Nestas duas últimas, os encargos mensais para os clientes mantêm-se.

3. Conta Caixa Azul

A “Conta Caixa Azul” destinada a clientes com mais recursos vai beneficiar de uma redução de comissão de manutenção nos casos em que há direito a bonificação. Nesse caso, a mensalidade passa dos actuais 7,28 euros mensais para 5,20 euros. Mas para isso, para além da domiciliação de rendimentos, passa a exigir ainda duas ou mais autorizações de débito na conta associada. Para as restantes contas “Caixa Azul” mantêm-se as comissões actualmente em vigor.

4. Levantar dinheiro ao balcão

Levantar dinheiro a um balcão da CGD fica mais caro a partir de 25 de Janeiro. Aos clientes que a partir dessa data apresentem a caderneta para levantar dinheiro serão cobrados 3,12 euros, acima dos 2,86 euros actualmente em vigor.

Ainda assim, mantêm-se em vigor algumas isenções que são actualmente previstas. Segundo a CGD esta comissão continuará a não ser aplicada no caso de a máquina da rede Caixa não existir ou se estiver avariada, se houver manifesta incapacidade do cliente para a actualização de dispositivos automáticos. Mas também se o levantamento for feito numa conta à ordem cujo somatório dos rendimentos domiciliados seja de valor inferior a uma vez e meia o salário mínimo nacional, em que o primeiro titular tenha uma idade igual ou superior a 65 anos e um dos titulares tenha património financeiro com saldo médio igual ou inferior a 20 mil euros, mas a isenção só se aplica até dois levantamentos por mês. Antes o limite eram três levantamentos por mês. Até três levantamentos em conta base caderneta também são isentos deste encargo.

5. Actualizar a Caderneta ao Balcão

actualização de cadernetas ao balcão deixa de custar os actuais 1,04 euros, para passar a custar 2,08 euros a partir de 25 de Janeiro. Esse valor apenas não é cobrado em casos de ausência e/ou avaria de ATS e actualizadora, ou em situações em que haja manifesta incapacidade do cliente para a actualização de dispositivos automáticos (casos de clientes invisuais, analfabetos).

6. Transferências MB Way

A realização de transferências MB Way passam a ser cobradas a partir de 25 de Janeiro a quem use a app MB Way da SIBS. Nesses casos, o custo destas transferências será de 88,4 cêntimos por operação, ficando isentos deste encargo os clientes com menos de 26 anos e os que têm “Conta Caixa”, mas neste último caso com alguns limites. Quem utilizar as aplicações da Caixa (Caixadireta, Caixa Easy e Dabox) para realizar essas transferências também continua a não ver cobrado qualquer encargo.

7. Processamento da Prestação da Casa

A 25 de Março chega a vez de quem tem crédito à habitação ver aumentar os encargos de pagar a prestação. A comissão de processamento mensal dos empréstimos da casa actualmente em vigor na CGD é de 2,60 euros. A partir de 25 de Março, passa a custar 2,86 euros. Ao fim de um ano, este encargo passará a ascender a 34,32 euros.

8. Requisitar Cheques

entrega imediata de três cheques na rede da Caixa (ATS) vai passar a custar 5,2 euros, valor que compara com os actuais 3,74 euros. Também as requisições de cheques encarecem. Por exemplo, a requisição online de um módulo de 11 cheques cruzados que actualmente custa 13,73 euros, passa a custar 15,6 euros. As alterações no preçário de cheques entram em vigor no dia 1 de Janeiro.

9. Aluguer de Cofres

A utilização de cofres vai ter um agravamento que abrange desde os de menor dimensão aos maiores. Por exemplo, o aluguer de um cofre com até 20,99 dm3 de dimensão custa actualmente 61,5 euros. A partir de 25 de Janeiro passa a custar 67,65 euros. Já o aluguer dos cofres maiores, com mais de 1.700 dm3, vai passar a custar 2.337 euros. Este valor compara com os actuais 885,6 euros.

Aumentos de 73%, em média, em três anos

Em quase três anos, período que coincide com a tomada de posse de Paulo Macedo como presidente do banco público, a Caixa aumentou, em média, 73% os custos para clientes. Considerando a actualização anunciada para Janeiro de 2020 e somando todos os aumentos no preçário, existe um agravamento de cerca 133,80 euros em taxas e comissões em relação a 2017.

Apesar de poder chegar ao final de 2020 com menos 100 balcões físicos em relação a 2017, a Caixa agravou em 60% as transferências inter-bancárias feitas por Internet (de 0,52 para 0,83 euros) no espaço de três anos. As transferências feitas ao balcão custam 6,24 euros e tiveram um aumento de 9%. As contas à ordem, com ordenado domiciliado, passaram a estar isentas apenas para quem tiver cartão de débito e crédito com utilização nos últimos três meses (ambos com custos). Além disso, a partir de 2020, os utilizadores da aplicação MB Way vão passar a pagar 88 cêntimos por operação.

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