Alterações Climáticas: Causas e Consequências — uma reflexão

A par das preocupações com o aumento de plástico na Natureza em geral, e nos Oceanos em particular, as alterações climáticas têm dominado grande parte da atenção mediática nos últimos anos, principalmente devido aos efeitos negativos que têm tido no dia a dia de todos os seres vivos e na sustentabilidade do planeta ao longo das últimas décadas.

Apesar de ser unânime entre a grande maioria dos cientistas, políticos e autoridades mundiais, todos temos vindo a sentir os seus efeitos com situações climatéricas anormalmente adversas, fora de tempo, de forma inesperada, etc.

Por outro lado, há também um número significativo de pessoas, algumas com um impacto gigantesco na sociedade, que não só desacreditam o fenómeno, como zombam dele, ignorando os dados que a ciência apresenta.

E que dados são esses? O site da NASA https://climate.nasa.gov/ apresenta uma das melhores compilações de dados a que podemos ter acesso e sobre os quais vale a pena refletir.

Em primeiro lugar, olhemos para a evolução das anomalias na temperatura em todo o globo, entre 1880 e 2018:

Se até ao início dos anos 70 do século passado havia uma variação mais ou menos uniforme das anomalias, a segunda metade dessa década deu início a um crescimento que não mais parou até hoje. Isso mesmo pode ser visto no gráfico seguinte, com dados recolhidos também pela NASA.

Anomalias de temperatura entre 1880 e 2018. NASA

O mesmo se pode concluir através da evolução da concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera — que é um gás que aumenta o efeito de estufa — e que atingiu em Maio de 2019 as 411 partes por milhão (ppm), o valor mais elevado dos últimos 3 milhões de anos, segundo um modelo climático baseado em amostras de gelo e sedimentos marinhos.

climate.nasa.gov

As causas para o aumento da temperatura do planeta Terra e, consequentemente, do surgimento de fenómenos atmosféricos extremos tem inúmeras causas, sendo as principais provocadas pela ação humana.

A atmosfera terrestre gera um efeito de estufa natural que permite que a temperatura média do planeta se situe nos +15 ºC. Sem este efeito seria de -19 ºC. Por outro lado, para além do efeito de estufa natural, há inúmeros gases libertados para a atmosfera que geram um efeito de estufa adicional e que resultam num aumento da temperatura média do planeta. A maioria destes gases provém da queima de combustíveis fósseis, sendo o CO2 o principal responsável pelo aquecimento global. No entanto, há outros gases que contribuem para o mesmo efeito, como o metano libertado nos aterros sanitários e na atividade agropecuária, o óxido nitroso libertado pelos fertilizantes ou os gases usados em processos industriais e de refrigeração. Por outro lado, a desflorestação traz igualmente consequências óbvias, que se traduzem na menor disponibilidade para absorver o CO2.

As consequências do aquecimento global são também elas bem conhecidas e, causam mudanças a vários níveis na economia, na saúde e nas comunidades. Na verdade, se não alterarmos o atual rumo os resultados serão certamente devastadores. As principais consequências são as seguintes:

  • aumento do nível do mar, não só devido ao facto de a água expandir com o aumento da temperatura, mas também devido ao derretimento dos glaciares, o que leva a que cidades costeiras ou mesmo ilhas inteiras sejam submersas;
  • algumas zonas com chuva e queda de neve abundantes irão tornar-se mais quentes e secas;
  • os leitos de alguns rios e lagos irão secar;
  • o número de secas irá aumentar, prejudicando as colheitas;
  • as reservas de água potável para consumo, higiene, agricultura e produção de alimentos irão diminuir;
  • muitas espécies animais e vegetais irão extinguir-se,
  • certos fenómenos climáticos extremos, como furacões, tornados e outras tempestades, vão tornar-se mais frequentes.

É importante notar que as alterações climáticas e o aquecimento global não são exactamente a mesma coisa. Enquanto que as alterações climáticas caracterizam-se por uma mudança significativa e prolongada dos padrões meteorológicos ao longo de um período que pode ir de décadas a milénios, o aquecimento global é caracterizado pelo aumento inequívoco e continuado da temperatura média do sistema climático da Terra.

No mundo atual, em que nós próprios temos contribuído para a acelaração do processo, é essencial minimizar estas alterações porque agora têm um impacto na vida na Terra que afecta milhares de milhões de seres vivos, ao contrário do que acontecia há milénios atrás. E aqui está a urgência!

Em 2015 foi assinado o chamado Acordo de Paris, que rege as medidas de redução de emissão de gases estufa a partir de 2020, a fim de conter o aquecimento global abaixo de 2 ºC, preferencialmente abaixo de 1,5 ºC, e reforçar a capacidade dos países de responder ao desafio, num contexto de desenvolvimento sustentável. Até ao momento, os Estados Unidos e o Brasil já se retiraram do acordo, alegando interesse nacional, o que certamente impõe dificuldades acrescidas nos restantes países.

Um urso polar muito magro foi visto numa cidade industrial da Sibéria, afastado a cerca de 1.500 quilómetros para sul dos seus territórios de caça. A última vez que um urso polar tinha sido avistado no local foi em 1977. AFP/Getty Images

Os resultados do aquecimento global são visíveis todos os dias e é determinante que tenhamos em mente que se não fizermos a nossa parte iremos comprometer a vivência das próximas gerações, algo que na verdade não está no nosso direito.

Em 2018, o número de migrantes forçados, principalmente devido à guerra, à perseguição e à violência atingiu os 71 milhões, mais do que a população de França ou do Reino Unido. As alterações climáticas também já estão a contribuir para um novo tipo de migrantes, mostrando as previsões que até 2050 poderá haver entre 25 e 1000 milhões de “migrantes ambientais”. Mas para já há outros dados, esses bem tristes, que mostram que ao longo dos últimos 30 anos quase 60 mil agricultores indianos retiraram a própria vida em consequência das alterações climáticas.

Atualmente é bom ver que as iniciativas em favor do planeta têm-se multiplicado. António Guterres, secretário Geral da ONU, anunciou já que um dos principais campos de acção da organização para os próximos anos será o combate às alterações climáticas; Greta Thunberg, uma jovem sueca de apenas 16 anos, deu origem a uma série de greves estudantis pelo clima que chegaram a Portugal e que exigem que os governos façam muito mais do que aquilo que têm feito pelo planeta; Al Gore, Barack Obama, Leonardo di Caprio ou Arnold schwarzenegger têm feito também as suas campanhas, mas há tantos e tantos outros ativistas anónimos que diariamente trabalham para um mundo melhor e que não devemos nem podemos defraudar.

Este não é um trabalho que caiba apenas aos governos de países, às personalidades mundiais ou às grandes organizações. Este é um trabalho de cada câmara municipal, de cada junta de freguesia, de cada um de nós! Pela nossa sobrevivência…

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