5G: o que esperar desta nova tecnologia — uma reflexão

5G ou quinta geração de Internet móvel, é o nome dá próxima geração de redes de telecomunicações e que vai substituir a actual rede 4G.

As vantagens do 5G, como se espera numa nova tecnologia, começam pela velocidade, que irá aumentar de 10 a 100 vezes. O tempo que os dados demoram a chegar, será, consequentemente, muito menor. Em concreto, enquanto que com o 3G os dados poderiam demorar 100 milissegundos a chegar, no 4G demoram aproximadamente metade e no 5G espera-se que demorem apenas cerca de 1 milissegundo. Isto significa que, por exemplo, se um carro autónomo estiver a deslocar-se a 100 km/h e o sistema enviar remotamente um comando para travar, no 4G, quando o comando chegar ao carro, este já estará 1,4 metros à frente. Com o 5G, quando o sistema de travagem for activado, o carro estará apenas 2,8 cm à frente.

Tal como aconteceu com as anteriores e actual geração de redes de telecomunicações, serão necessárias novas infraestruturas e tecnologias, i.e., novas antenas e novos dispositivos para transmitir e receber os sinais. Para isso, as operadoras vão ter que fazer avultados investimentos, o que fará com que o princípio utilizado seja o mesmo que até aqui tem sido, primeiro chegará às grandes cidades e, depois, gradualmente, às outras áreas, conforme as vantagens económicas do investimento.

Principalmente devido ao braço de ferro entre o governo dos Estados Unidos e a empresa chinesa Huawei, que levou a que esta fosse banida do país — para já temporariamente — por alegadas intenções de espionagem para o governo chinês, o tema do 5G tem sido bastante debatido.

Para além da segurança, há ainda outro tópico que tem gerado muita discussão entre cientistas, organizações e empresas e que diz respeito aos possíveis malefícios da nova rede na saúde de pessoas, animas e meio ambiente.

Na verdade, a transmissão de ondas electromagnéticas devido ao uso de redes sem fios há muito que gera discussão. No caso do 5G, em particular, a discussão parece ser mais intensa, principalmente por esta rede ir utilizar frequências e intensidades superiores às utilizadas actualmente (700 Megahertz (MHz), 3.4–3.8 Gigahertz (GHz) ou ainda 26 GHz). Por isto mesmo, surgiram já vários apelos contra o uso do 5G na Terra e no espaço (5gappeal, 5gspaceappeal), de médicos e cientistas que alertam para os possíveis riscos do 5G na saúde, não só porque a frequência e a intensidade dos sinais serão maiores, mas porque a tecnologia só é efectiva a curtas distâncias, tendo dificuldades em atravessar objectos sólidos. Para compensar estas dificuldades serão precisas muitas mais (pequenas) antenas de transmissão, a cada 2 a 8 casas, para que se tenha uma cobertura mais alargada. E na verdade estas estarão basicamente em todo o lado, desde as casas às lojas ou aos hospitais; dos frigoríficos às televisões ou às máquinas de lavar; das câmaras de vigilância aos carros autónomos ou aos autocarros, entre muitas outras coisas, naquilo a que hoje se chama a Internet das Coisas (IoT).

Os argumentos até agora apresentados dividem-se essencialmente em duas vertentes: os que dizem que o aumento da exposição a ondas electromagnéticas geradas por dispositivos eléctricos e sem fios pode aumentar o risco de cancro, stress celular, danos genéticos, alterações estruturais e funcionais no sistema reprodutivo, deficit de aprendizagem e memória, estendendo-se para além da raça humana e atingindo também as plantas e os animais e, os que dizem que ainda não há estudos suficientes que possam levar a uma conclusão e é, sim, necessário garantir que a rede funcionará de acordo com padrões verificados de forma independente e comprovadamente inofensiva para a saúde.

Apesar de a rede 5G já estar a ser testada em vários países como a Coreia do Sul, os Estados Unidos, a Alemanha, o Reino Unido, a Argentina, a África do Sul, a Austrália, o Qatar, os Emirados Árabes Unidos, a Suíça, a Finlândia, a Itália, a Polónia ou a Espanha, a Comissão Europeia tem o objectivo de ter uma cidade em cada estado membro coberta com 5G até 2020. Mas nem todos aceitam. O governo belga, por exemplo, recusou a aplicação do 5G em Bruxelas, argumentando ter impacto negativo na saúde da população se os padrões de radiação não forem respeitados, não querendo, por isso, ter os seus habitantes como cobaias.

Em Portugal, o Movimento Português de Prevenção do Electrosmog1 (MOPPE) tem vindo a lançar vários alertas em relação à introdução do 5G, que dizem ser “uma tecnologia muito mais perigosa para a saúde e para a democracia do que a 4.ª geração”. Ainda segundo o MOPPE, “o 5G já tem um local reservado para as suas antenas nos novos candeeiros públicos, agora munidos de outra tecnologia comprovadamente perigosa, os LED azuis de fósforo, que se forem implementados sem o difusor ou filtro exigem o uso de óculos protectores”.

Uma coisa é certa, apesar de a tecnologia já estar praticamente desenvolvida, a sua estandardização ainda não está concluída e terá ainda muitas discussões pela frente. Enquanto que a Comissão Europeia, baseando-se em relatórios de comissões internacionais, diz que o uso da rede 5G irá respeitar os limites seguros para a saúde humana [1, 2], muitos opositores da tecnologia dizem que esses limites não foram suficientemente verificados, de forma independente e, poderá haver conflitos de interesses entre governos e empresas interessadas.

Enquanto que se espera que as novas tecnologias facilitem a vida de todos os cidadãos e ajudem à evolução da vida na terra, criando as chamadas “Cidades Inteligentes”, é certo que nem sempre todos os riscos são acautelados, por vezes em favor do retorno financeiro.

A implementação do 5G poderá ser um dos casos em que ser o primeiro não é necessariamente uma vantagem e, por isso mesmo, deve ser dada prioridade aos estudos e às garantias da ciência em relação ao seu uso efectivo.

1Radiação electromagnética artificialmente gerada no meio ambiente por dispositivos eléctricos e sem fios e o resultado da exposição permanente de pessoas e do ambiente a esta.

O 1G, criado em 1979, permitiu realizar as primeiras chamadas de voz sem fios, tendo uma velocidade de 2,4 kilobits por segundo (kbps). Seguiu-se o 2G em 1991, quando começaram a surgir as mensagens de texto (SMS), então com velocidades de 64 kbps. Em 1998 surgiu o 3G e com ele os dados móveis e as video-chamadas, tendo a velocidade aumentado para 384 kbps. Em 2009 foi a vez do 4G, que para além ter trazido maior estabilidade às redes móveis, permitiu transmitir mais dados de uma só vez, chegando-se à banda larga móvel, numa velocidade entre 100 megabits por segundo (Mbps) e 1 gigabit por segundo (Gbps) e, consequentemente a evolução dos smartphones dos últimos anos. Com o 5G espera-se que as velocidades aumentem de 10 a 100 vezes, pelo menos, com cerca de 10 a 20 Gbps por segundo, permitindo a conexão de dados ilimitados em qualquer lado, a qualquer altura e em qualquer formato.

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