10% dos aguiarenses não têm médico de família

Em Portugal há 5596 médicos de família para 10 509 971 utentes inscritos 1878 por cada médico.

©Caruspinus

De acordo com os dados da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), no final de Abril, 1 299 634 portugueses não tinha médico de família, o que corresponde a 12,3% dos inscritos.

Na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Aguiar da Beira, que integra o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Dão Lafões, de 5750 utentes inscritos, 89,8% tem médico de família atribuído. Isto significa que são 586 os aguiarenses/utentes inscritos na UCSP local sem médico de família (cerca de 10%).

Mais de 1000 médicos de família atingem a idade da reforma em 2022

De acordo com o jornal Público, a situação poderá ter sido agravada pelas aposentações de médicos, pela incapacidade de reter jovens especialistas e ainda devido ao aumento do número de inscritos nos centros de saúde. Só em 2022 há mais de 1000 médicos que atingem a idade da reforma, mais 400 em 2023 e mais 300 em 2024.

Anualmente, são formados entre 400 a 500 médicos de família, ficando entre 60 a 70% no Serviço Nacional de Saúde (SNS). A falta de médicos de família é mais crítica na região de Lisboa e Vale do Tejo (24% sem médico de família), seguida da região do Algarve (17% sem médico de família).

Em Janeiro, após terem ficado diversas vagas por preencher num concurso da área da medicina geral e familiar, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) tinha enumerado vários motivos para esta situação.

Apontou, entre outros, “a remuneração que não é compatível com o nível de formação e responsabilidade de um médico especialista, com um salário líquido de 1744 euros por mês para 40 horas semanais”; as “listas de utentes sobredimensionadas”, com 1900 utentes por Médico de Família quando o limite deveria ser de 1.500 utentes; a “ausência de normas de organização do trabalho médico, com frequente ausência de tempo do horário de trabalho alocado para inúmeras atividades para além da consulta presencial”; e a degradação das instalações e equipamentos, incluindo equipamento informático e falta de ‘software’ adequado à prática clínica.

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