Era uma vez… no país da comédia (I)

Em Portugal, como não poderia deixar de ser, há muito que abundam os “casos” que muitas vezes nos fazem abrir a boca, não pela surpresa de serem feitos extraordinários, mas, quase sempre, por constituírem tremendas injustiças. Hoje trago aqui três desses casos que, não, não aconteceram no século passado. Acontecem actualmente, o que é de lamentar ainda mais.

Em Maio passado, a TVI, mais propriamente a jornalista de investigação Ana Leal, dava conta do caso do empresário Jorge Ferreira Dias, que passou de milionário a pedinte. Mas como? Por causa da disputa de um terreno com a Câmara Municipal de Abrantes, liderada durante quase uma década por Maria do Céu Albuquerque. Maria do Céu Albuquerque? Sim, ex-secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, que os tribunais chegaram a acusar de “má fé processual”. Mas, apesar de três tribunais terem dado razão a Jorge Ferreira Dias, foi condenada ou afastada? É a actual Ministra da Agricultura.

Como quem sou eu para julgar quem quer que seja, aqui fica a reportagem e cada um fique com aquilo que lhe parecer.

A meio do mês passado ficámos a conhecer a “estrada sem dono”. Sim, situa-se no concelho de Loures, mas a Câmara Municipal nega ser sua proprietária. A Infraestruturas de Portugal, nega igualmente responsabilidades. E quando há buracos para tapar, ficam assim? Não, a Câmara de Loures vai tapá-los, apesar de dizer que não é dona da estrada… Entretanto, os acidentes sucedem-se e a culpa não é de ninguém.

No dia 20 de Outubro tivemos conhecimento do troço da A26 que custou 35 milhões de euros, está pronto há dois anos, mas continua fechado para circulação. Mas porquê? Aparentemente falta “a praça da portagem e equipamentos de cobrança”. À dois anos… E como é habitual, continua o passar de responsabilidades de uns para os outros. Já é um clássico. No país da comédia.

2 respostas
  1. Luís Varandas
    Luís Varandas says:

    Disse-o, e bem, José Saramago:
    “O grande problema do nosso sistema democrático é que permite fazer coisas nada democráticas democraticamente.”

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  2. Zartacan
    Zartacan says:

    isto sempre assim foi, assaltantes presta-mistas, desde recentes pinoquios a outros trafulhas que assaltam a coisa pública. Ainda são premiados, a alma publica, é sacar algum, mais nada.Quem deve muito à banca é rico, essas que quem a paga é o povo. Tá tudo dito, é rico quem conseguir roubar e trafulhar. Pronto e só.

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