COVID-19: controlem os burros, se fazem favor

Passaram recentemente três meses desde que o novo coronavírus chegou para mudar o Mundo. O número de infectados já ultrapassou o primeiro milhão e, tudo indica, continuará num percurso exponencial durante as próximas semanas. Neste momento, a única arma que temos e que é realmente efectiva, é o isolamento social. É evidente que o impacto económico deste isolamento forçado será algo nunca antes visto mas, a verdade, é que não temos alternativa.

Desta vez, e não me querendo alongar, queria apenas destacar alguns dos principais pontos positivos e negativos que tenho notado no nosso país.

+ Rapidez na Aplicação de Medidas

Aprendendo com os erros de outros países, Portugal foi capaz de agir suficientemente rápido, tomando muitas das medidas necessárias para minimizar o impacto da pandemia, em especial a declaração do estado de emergência e consequente legislação.

Em Aguiar da Beira não há, até agora, quaisquer casos registados. Temos que agradecer a todos os Aguiarenses pelo comportamento que têm adoptado, à Câmara Municipal, à Protecção Civil, às associações, aos voluntários e a todos os que têm contribuído para que seja esta a realidade do nosso concelho. Obrigado!

– Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE)

— “Médicos dizem que sistema que regista casos de Covid-19 tem muitas falhas. É um pesadelo burocrático.
— “Reportar um caso é como preencher o IRS. Mas o IRS é mais rápido, deve ter 100 vezes a capacidade da rede do Ministério da Saúde.
— “No hospital de São João, no Porto, que está desde o primeiro dia na linha da frente no combate à Covid-19, os médicos já desistiram de reportar os casos suspeitos no SINAVE.
— “A esmagadora maioria dos casos de Covid-19 vão acabar por não ser notificados no SINAVE, à semelhança do que acontece com praticamente todas as doenças infecciosas naquele sistema.
— “Uma pessoa abre o SINAVE e depois vai ver o doente, e volta para ver se já está aberto e não está. Três quartos de hora depois.

Como assim? Os médicos nem sequer tempo têm para tratar de todos os doentes e querem que estejam horas em frente ao computador a responder a dezenas de perguntas? Não faz sentido e só tem um nome: RIDÍCULO. [link]

+ Renovação do Estado de Emergência

Apesar de ser altamente penoso para todos, para a economia e para o país, é extremamente importante não abrandar nas medidas, pois isso seria deitar tudo a perder. Se dúvidas houvesse, comparemos a China, Hong Kong ou Macau com os Estados Unidos, o Reino Unido ou o Brasil.

– Proibição de Deslocação para fora do Concelho de Residência

Não, o ponto negativo não é a proibição de deslocação de pessoas para fora do concelho de residência entre os dias 9 e 13 de Abril. O ponto negativo é isso ter sido anunciado com uma semana de antecedência. Lembram-se o que é que aconteceu em Itália? E lá o anúncio foi feito com apenas um dia de antecedência. Espero que me engane, mas vou ficar atento às notícias. Não faz sentido e só tem um nome: RIDÍCULO.

Surpresa

Soubemos hoje que os “maiores de 60 anos são os que mais saem à rua apenas para passear” [link]. Obviamente que temos que ser sensíveis à capacidade de adaptação dos mais velhos ou à solidão associada à idade. Ainda assim, alguma coisa não está certa e tem que ser mudada.

Num país como Portugal, em que o Serviço Nacional de Saúde está quase sempre a funcionar no limite, atrasar ao máximo o número de pessoas infectadas é crucial [link]. Ainda assim, a desculpa para se sair de casa continua bem afinada [link]. Felizmente ainda não chegámos ao nível deste espanhol.

Termino com uma imagem que tem circulado recentemente nas redes sociais e que, apesar de o texto que a acompanha não corresponder à realidade, é uma óptima adaptação.

O soldado carrega o burro às costas não porque goste dele, mas porque o campo é minado. Se o burro pudesse circular livremente podia levar à morte de todos eles. Controlem os burros.

O burro era órfão e foi adoptado pelos soldados da 13.ª DBLE (13e Demi-Brigade de Légion Étrangère). Baptizado de Bambi, acabou por se tornar a mascote da unidade. Guerra da Argélia, Junho de 1958. Fonte: http://foreignlegion.info/history/13dble/.

Nota: o título do artigo não se refere aos maiores de 60 anos ou a alguém particular, apesar de haver muita gente no Mundo actual que está a desempenhar perfeitamente esse papel.

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